Mesmo que não esteja alojado no Hello Lisbon Castelo Apartments - que se encontra mesmo ao lado - uma visita às Portas do sol é fundamental para perceber Alfama - sem querer provocar ninguém - talvez a colina de Lisboa mais generosa no que à história diz respeito. O Largo das Portas do Sol, no alto da colina, ganhou o nome da Porta do Sol da Cerca Velha, ou Cerca Moura, uma das portas de uma estrutura medieval de torres e espessos muros, construída por uma Roma já em declínio (Sec. III) reforçada mais tarde no sec. VIII pelos mouros (daí o nome “Moura”) como resposta a um saque.

A muralha que defendia Al-Ušbuna (nome de Lisboa sob o domínio árabe) teria, aproximadamente 1250 metros de comprimento na sua extensão total, e cerca de 2 metros de espessura e abrangia no seu interior uma área com cerca de 16 hectares. Deste modo, a área total de Al-Ušbuna, aquando do seu apogeu em finais do séc. XI, seria de aproximadamente 30 hectares, juntando à já referida área intramuros dois arrabaldes que teriam uma área conjunta de 15 hectares. Neste espaço, admite-se que Al-Ušbuna teria uma população na ordem dos 20 ou 30.000 habitantes, comparável aos grandes portos de Málaga e Almeria.

Um pouco de história é sempre interessante, porém, o que lhe propomos aqui é entrar na idade média como se de uma máquina do tempo se tratasse.

Convidamo-lo a percorrer estes milenares 1250m – cerca de 50 minutos são bastante -, da Rua do Chão da Feira (1) (junto ao Castelo de São Jorge, onde a cerca se liga à Muralha de Alcáçova) à Rua do Milagre de Santo António (16). Ao longo deste trajeto há 16 totens, que dão a conhecer a Cerca Velha, o sistema defensivo medieval que perdurou até à construção da muralha fernandina (Rei D Fernando I) no século XIV, para defesa dos invasores castelhanos.

Ao longo dos cerca de 1250 metros, encontramos seis portas e mais de duas dezenas de torres. É no segundo ponto de paragem, no Pátio D. Fradique (2), que se encontra o mais extenso troço visível da muralha.

Mais à frente, no Largo das Portas do Sol (3), destaca-se o antigo Palácio Azurara, em cuja fachada é visível uma torre da Cerca Velha. Já na Rua Norberto de Araújo (4) ergue-se, apoiada na escarpa rochosa, aquele que é o único troço visível da cerca da época islâmica.

Antes de se passar pela Torre de São Pedro (6), que chegou a ser usada como prisão, por um postigo com o mesmo nome e por um conjunto de portas abertas na muralha em diferentes períodos, há outro ponto que merece uma paragem: A Porta de Alfama (5).

O Núcleo Arqueológico da Casa dos Bicos também integra este circuito pedonal (12). No interior do edifício, onde está sedeada a Fundação Saramago (Prémio Nobel da Literatura em 1998), estão patentes objetos de uso quotidiano dos séculos XVI a XVIII, vestígios romanos como tanques de uma unidade fabril de preparados de peixe e troços da muralha tardo-romana e da muralha medieval.

Ao entrar na máquina do tempo selecione o Séc. III! Boa viagem.

Pedro Mata

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