O Museu da Arte, Arquitetura e Tecnologia, tornou-se em pouco tempo (inaugurado em 2016) um dos maiores atrativos da cidade de Lisboa, segundo Amanda Levete, a arquiteta britânica responsável pelo projeto “Queríamos um espaço onde as pessoas pudessem vir, não apenas a um museu, mas a um local de espaços públicos, onde as pessoas se podem encontrar, nesta época em que se comunica à distância. Isso é mais importante do que os próprios edifícios” e o que hoje podemos dizer é que o desígnio foi inteiramente conseguido.

O desafio era simultaneamente o relacionamento do museu com o rio e com a cidade, mantendo a vista privilegiada e a luz única, próximo da antiga central elétrica, hoje Museu da Eletricidade, com cerca de 100 anos. Pedia-se ao traço do arquiteto um edifício que passasse despercebido, ao contrário de outros edifícios recentes na mesma área que optaram por volumetrias sem enquadramento com a linha de água do rio e sem par naquela zona ribeirinha da cidade, não obstante a tentação de ter sete mil metros de área disponíveis para projetar um museu junto ao rio, numa capital europeia.

A ideia é que pareça a paisagem, deixando a vista livre para a cidade e para o rio". – refere Amanda Levete

A volumetria necessária para a implantação do museu foi conseguida à custa da topografia, a galeria principal situa-se em profundidade, abaixo da linha de água do rio, 10 metros ali ao lado e não em altura. Estava conseguida a ligação com a cidade, mas não ficou por aqui, essa ligação foi mesmo incrementada com a criação de uma ponte pedonal em forma de “boomerang” que retoma a ligação da cidade com o rio, contornando subtilmente a limitação do corte que a linha de comboio exerce sobre toda a costa ribeirinha e atlântica, até Cascais.

Outro grande atrativo do edifício é a relação com a luz. Todo o revestimento da fachada é constituído por mosaicos tridimensionais, “uma espécie de escamas brilhantes” que refletem a luz do sol, originando diferentes tonalidades ao edifício consoante a luz da hora do dia e das estações do ano. O uso de materiais antigos e tradicionais também se destaca, como o lioz, utilizado na entrada e nos corrimãos no interior e no terraço, bem como o próprio azulejo da fachada, e a pala que se sustenta num tubo, permitindo fugir ao volume das tradicionais colunas.

O terraço dá-nos a visão do rio como se estivesse num convés de um navio (graças à pala não se vê terra, apenas água). Ali desfruta deste espaço, autónomo do museu no sentido em que isoladamente justifica uma visita, onde confluem multidões com ou sem intenção de visitar as exposições no interior, o que só por si recorda-nos o impacto da arquitetura na qualidade de vida da comunidade.

Sugerimos uma visita ao museu seguida de uma visita ao terraço, que se coincidir com a hora do pôr-do-sol, garantimos que será inesquecível. O espaço é visitável 24 horas por dia.

Seja bem-vindo a Lisboa, Pedro Mata

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